Meu querido,
não sei mais que dizer a não ser que não consegui dormir na noite passada pois sabia que que há muito o tivemos juntos, acabara entre nós. Tenho um sentimento que nunca imaginei que existisse e, recordando o passado, não vejo outro fim para nossa relação. Somos pessoas muito diferentes, porém, foste meu professor e ensinaste-me a amar e a ser amada, fizeste-me sentir segura quando me abraçavas como se o mundo parasse quando me olhavas nos olhos e sorrias para mim. Quero que saibas que não sinto arrependimento pelo que aconteceu, pois tenho a certeza de que o que partilhamos foi algo real, foste o homem que me fez sentir desejada naquele momento, o mesmo que eu senti por ti foi o mesmo que sentis-te por mim, e sim, fomos felizes. Hoje sinto alguma tristeza por nada ter resultado entre nós e por não ter uma vida realizada a teu lado. Mas trago um peso que carrego comigo, razão pela qual te escrevo esta carta, algo que tenho que partilhar contigo por mais difícil que seja para os dois. Tenho esperanças de que algum dia ainda me possas vir a perdoar depois da minha confissão: O Gonçalo é a prova viva da nossa paixão, é o fruto dos nossos corpos. Por favor, não me odeies, eu sei que para ti deve ser muito duro estares a ler estas palavras, mas não podia continuar a esconder-te este segredo tão forte que não me deixa dormir, pois cada vez que eu olho para o nosso filho vejo o teu rosto doce e meigo que em tempos me hipnotizou e me deixou rendida a teus pés. Durante cinco anos, mantiveste o meu coração cativo e agora é tempo de o deixares partir, é tempo de dizer adeus a tudo o que nos fez chorar, a todos os beijos e noites perfeitas que partilhamos, a todas as promessas e juras de amor que trocamos, é tempo de nos afastarmos e deixar a nossa história no passado. Se no futuro, em algum lugar distante nos reencontrarmos durante o percurso das nossas vidas, olhar-te-ei nos olhos e sorrir-te-ei, não com a alegria que gostava, mas com a ternura que hei-de sentir e assim recordarei o nosso passado juntos, tudo o que aprendemos um com o outro e o quanto crescemos com o nosso amor. Espero que nesse momento te lembres de todas as memórias que sempre partilhámos. 
O nosso filho é a única recordação que eu guardo de ti, filho que eu amo e jamais me perdoaria se ele sofresse com esta situação, tenho consciência que não lhe poderei esconder a verdade pois não seria justo, e o que mais desejo é ver o Gonçalo, um dia, mais tarde ou mais cedo, chamar-te de “pai”. Por enquanto ele ainda é muito novo e decerto que não iria compreender, mas um dia quem sabe… 
Por mais que tente negá-lo, vou sentir a tua falta, e é tão angustiante recordar-me do dia em que parti… no fundo sei que nunca mais voltarei a ser a mesma!
E por mais estapafúrdio e exuberante que pareça, é que ambos sabemos que o nosso destino não é de todo ficarmos juntos, e no entanto eu continuo a amar-te como nunca amei outro homem na minha vida. Foste o meu grande amor e por mais tempo que passe, um grande amor nunca se esquece. 
Peço-te por favor que não me procures mais, pois sei que o que estou a fazer é o mais correcto para ambos. Teremos de seguir em frente, mas desta vez, longe dos braços um do outro.
Assim me despeço.

Com amor, R.

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cher Joana