um percalço do tempo... talvez até de algo mais.
espero que o beijo que te soprei te faça cócegas na cara.
Um dia assaltarei o céu e roubarei uma estrela para ti. Dizem que o amor não cabe em palavras, mas o amor que te sinto não cabe nem no peito. Bom sentir a leveza do espírito, a pureza do ar, o arrepio na espinha e o coração a palpitar... a palpitar. Não absolvo de mim a esperança de um dia te ver acordar, e guardo comigo o desejo enaltecido das minhas mãos frias serem aquecidas pelo sopro da tua boca, que talvez quiçá, não aguentará a ânsia e unir-se-à à minha... enlouquecidamente.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. 

Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. 
Mais vale saber passar silenciosamente 
             E sem desassosegos grandes. 

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, 
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, 
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, 
      E sempre iria ter ao mar. 

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos, 
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, 
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro 
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o. 


Ricardo Reis
se tudo na vida fosse uma questão de sorte, então eu seria uma desafortunada.